A urgência bruta ao serviço do groove (Ex Banza & Janbat – Typo Positive EP)
Ex Banza e Janbat capturam a energia autêntica do rock alternativo, misturando influências garage e groove psicadélico, tudo sem artifícios nem produção rebuscada.
Às vezes, a música nasce no momento, sem um plano pré-estabelecido ou reflexão excessiva. Foi exatamente isso que aconteceu com TYPO POSITIVE, o EP gravado em dois dias por EX BANZA e JANBAT em Glasgow. O que deveria ser um simples fim de semana entre amigos transformou-se num projeto fervoroso, onde o instinto tomou conta de tudo.
Sem produção refinada nem artifícios, o EP destila uma energia bruta que oscila entre o rock alternativo, o groove nervoso e influências garage. Ouvem-se guitarras cortantes à Pixies, voos elétricos que lembram Lenny Kravitz e um espírito DIY que evoca tanto os Stooges quanto o som sujo do Primal Scream do período XTRMNTR.
Faixas espontâneas, influências marcantes
Carlton Studio abre o EP como um manifesto: um som direto, uma rítmica seca e uma vibe entre o rock garageiro e o blues elétrico à la Jack White. A guitarra áspera de EX BANZA traça linhas melódicas cortantes enquanto JANBAT martela uma bateria que estala. Esta faixa captura a energia bruta do momento, com uma abordagem quase ao vivo que lembra os primórdios dos Black Keys.
Com It's Like a Dance, mergulhamos diretamente no universo Madchester. Baixo hipnótico, bateria saltitante, guitarra ligeiramente psicadélica... A influência de Primal Scream, Happy Mondays e Stone Roses é evidente. A faixa é um apelo ao desapego, carregada por um groove irresistível e um canto despreocupado que lembra, por vezes, Beck no período Odelay.
A faixa homônima, Typo Positive, é a mais furiosa do álbum. Sente-se uma energia próxima do punk rock e do grunge, com uma saturação que flerta com os Queens of the Stone Age e uma bateria pesada ao estilo dos Nine Inch Nails do período The Fragile. EX BANZA toca todos os instrumentos, e isso nota-se: é uma válvula de escape pessoal, um desabafo sonoro que, apesar do seu lado abrasivo, continua a ser incrivelmente cativante.
Por fim, Vernon encerra o EP com uma abordagem mais experimental, tocada em uma única tomada, como uma jam inspirada. O som da guitarra de EX BANZA fica mais livre, com uma abordagem que lembra Vernon Reid (Living Colour), mas também o post-rock à la Mogwai, com
voos atmosféricos e texturas sonoras mais aéreas. Gravadas no aeroporto de Glasgow pouco antes de um voo perdido para Amesterdão, as vozes adicionam um toque ainda mais espontâneo à faixa, dando um verdadeiro lado rock nómada ao projeto.
Um EP cru e instintivo, entre urgência e groove
O que faz a força de TYPO POSITIVE é a sua imediatismo. Em apenas dois dias, EX BANZA e JANBAT conseguiram capturar uma energia crua e sincera, longe das produções demasiado trabalhadas que perdem espontaneidade. As influências estão lá — do rock alternativo dos anos 90 ao fuzz sujo do garage rock, passando pelo groove psicadélico de Madchester — mas a dupla digere-as à sua maneira, sem procurar seguir uma estética específica.
Disponível em vinil de edição limitada, este EP é acompanhado por dois videoclipes (TYPO POSITIVE e IT'S LIKE A DANCE) realizados por Duosonic Motion, o projeto visual de JANBAT, que também assina a capa.
Ah, e a propósito: nenhum prato foi tocado durante a gravação. Prova de que é possível fazer rock que arrasa sem artifícios desnecessários.
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